Suposto encontro entre Bolsonaro e Gilmar Mendes para Discutir Ofensiva de Trump acabou não acontecendo

A informação é da jornalista Malu Gaspar

Em meio à crescente tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e Bolsonaro, um encontro entre o ex-presidente e o ministro do STF Gilmar Mendes foi negociado, mas não se concretizou devido à prisão de Bolsonaro. 

A reunião, mediada por aliados, buscava discutir a ofensiva do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o STF, especialmente no contexto das sanções impostas pela Lei Magnitsky.

A seguir, os principais pontos abordados no artigo publicado por Malu Gaspar no jornal 

Contexto da Tensão entre STF e Bolsonarismo: 

– O Supremo Tribunal Federal enfrentava um embate com apoiadores de Jair Bolsonaro, intensificado pelas decisões do ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos contra o ex-presidente. 

– A ofensiva de Donald Trump contra o Brasil, incluindo sanções e ameaças ao STF, agravou a crise, com a inclusão de Moraes na lista da Lei Magnitsky em 30 de julho de 2025, que impõe restrições financeiras a alvos específicos. 

2.Negociação do Encontro: 

– O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), próximo tanto de Bolsonaro quanto de Gilmar Mendes, propôs a reunião para buscar um diálogo que pudesse distensionar o conflito. 

– A proposta veio em um momento em que o STF enfrentava pressões internas e externas, com a suspensão de vistos de oito ministros do Supremo pelos EUA e ameaças de ampliação das sanções. 

3.Objetivo da Reunião: 

– O encontro visava discutir a ofensiva de Trump, incluindo as sanções da Lei Magnitsky e as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros, exigindo o fim do processo contra Bolsonaro como contrapartida. 

– Gilmar Mendes buscava se posicionar como interlocutor para pacificar os ânimos, enquanto aliados de Bolsonaro tentavam negociar um abrandamento das ações do STF. 

4.Condições para o Encontro: 

– Gilmar Mendes exigiu que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) cessasse os ataques ao Supremo, propondo um “pacto de silêncio” como pré-condição para o diálogo. 

– A condição não foi atendida, uma vez que Eduardo Bolsonaro continuou a pressionar nos EUA, influenciando a narrativa trumpista contra o STF. 

5.Fracasso do Encontro: 

– A reunião não ocorreu porque Jair Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar por Alexandre de Moraes em 4 de agosto de 2025, dias após a inclusão de Moraes na Lei Magnitsky. 

– Quatro aliados de Bolsonaro confirmaram que, no dia da prisão, ele mencionou a intenção de se reunir com Gilmar Mendes, mas o ministro afirmou a interlocutores que o encontro seria inviável nas circunstâncias. 

6.Reações e Consequências: 

– A prisão domiciliar de Bolsonaro intensificou a crise, com aliados prevendo que a decisão de Moraes aceleraria novas sanções dos EUA contra outros ministros do STF, como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. 

– Gilmar Mendes negou publicamente qualquer desconforto no STF, afirmando apoio a Moraes, mas interlocutores revelaram críticas internas à forma como as decisões foram tomadas sem consulta à Procuradoria-Geral da República ou aos colegas da Corte. 

7.Ações de Eduardo Bolsonaro e Trump: 

– Eduardo Bolsonaro, em autoexílio nos EUA desde março de 2025, pressionava pela inclusão de outros ministros na Lei Magnitsky, buscando isolar Moraes no STF. 

– A ofensiva de Trump, incluindo tarifas e sanções, era vista como uma tentativa de forçar o STF a recuar nas investigações contra Bolsonaro, enquanto aliados do ex-presidente apostavam em uma trégua que não se concretizou. 

8.Outras Tentativas de Diálogo: 

– Antes da prisão, lideranças do PL se reuniram com Gilmar Mendes em um café da manhã, mas o encontro foi considerado “muito ruim” por ambos os lados, já que o STF se recusou a transferir os processos do 8 de janeiro para a primeira instância, e os bolsonaristas insistiam na inevitabilidade das sanções americanas. 

9.Impactos Institucionais: 

– A crise gerou preocupações no STF sobre o alcance das sanções de Trump, com reuniões entre ministros e banqueiros para avaliar os impactos financeiros, especialmente sobre transações em dólar e o sistema Swift. 

– Moraes, em discurso, comparou os ataques dos EUA a ações de “milicianos do submundo do crime”, reforçando a postura de resistência do STF. 

O artigo destaca a tentativa frustrada de diálogo entre Jair Bolsonaro e Gilmar Mendes, em um contexto de escalada de tensões entre o STF, o bolsonarismo e o governo Trump. A prisão de Bolsonaro e as ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA aprofundaram o impasse, enquanto o STF busca manter sua autonomia diante de pressões internas e internacionais. A ausência de um “pacto de silêncio” e a continuidade das sanções americanas indicam que o conflito está longe de uma resolução.

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