
Tensão com Moraes eclodiu quando Aldo Rebelo não aceitou responder de maneira objetiva perguntas da defesa do almirante Garnier Santos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moares ameaçou prender o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, nesta sexta-feira (23/05) durante depoimento na ação criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado.
A situação ocorreu quando Aldo Rebelo não aceitou responder de maneira objetiva perguntas da defesa do almirante Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, que é acusado pela Procuradoria-Geral de República (PGR) de ter colocado suas tropas à disposição de uma tentativa de golpe liderada por Bolsonaro.
O advogado Demóstenes Torres perguntou, então, se Garnier Santos poderia ter acionado sozinho as tropas. A intenção da defesa era ter uma avaliação a partir do conhecimento de Rebelo sobre o funcionamento das Forças Armadas.
Rebelo, então, começou uma digressão sobre semântica, dizendo que, na língua portuguesa, nem tudo é literal.
“Por exemplo, quando uma pessoa diz que está frita, não está dentro da frigideira”, exemplificou.

Aldo, então, respondeu à pergunta e disse que o comandante da Marinha não poderia acionar as tropas sozinho.
“Não pode, ministro, porque qualquer estrutura de comando dentro das Forças Armadas precisa consultar toda a cadeia relacionada com ela. Cúpula da Marinha, rigorosamente, comanda uma mesa. Quem comanda a tropa, é o comando das Operações Navais, é o comando da Esquadra, é o comando da Força de Superfície, é o comando dos Submarinos, esse que é o comando real”, disse.
Na sequência, Demóstenes Torres tentou fazer nova perguntas nesse tema, mas Moraes decidiu encerrar esse questionamento da defesa, argumentando que não era relevante para o depoimento, citando a atuação das tropas no golpe militar de 1964.
“Senhor Demóstenes, vamos levar com seriedade isso. O deputado Aldo Rebelo é um historiador, ele é inteligente, ele sabe muito bem que, por exemplo, em 1964, não foi ouvida toda a cadeia de comando para se dar o golpe militar”, encerrou Moraes.
O depoimento ocorreu dentro do processo criminal contra Bolsonaro e outros sete réus, inclusive generais do Exército, como o ex-ministro da Casa Civil, General Braga Netto, acusados de planejar e tentar realizar um golpe de Estado.
Créditos: Mariana Schreiber da BBC News Brasil em Brasília
