Alexandre de Moraes ouve Mauro Cid em inquérito sobre trama golpista

Primeiro a se sentar no banco dos réus é o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid. Moraes e ministros da 1ª Turma farão perguntas

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a interrogar, na tarde desta segunda-feira (9/6), os réus do núcleo 1 por participação na suposta trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022.

O primeiro a ser ouvido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, é o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, delator da suposta trama golpista.

O militar confirmou a Moraes que Bolsonaro leu a minuta do golpe e a enxugou, mantendo apenas Moraes como preso. “Ele enxugou o documento, retirando as prisões. Somente o senhor [Moraes] ficaria preso”, disse.

O núcleo tem, além do ex-presidente, mais sete integrantes. A divisão por núcleos seguiu o critério de tipo de participação de cada grupo de réus. A sessão começou com a fala do ministro Alexandre de Moraes.

Por volta das 14h20, Moraes chamou para falar o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. Ele se sentou no banco dos réus e começou a responder ao interrogatório.

O ex-ajudante de ordens Cid confirma a Moraes termos de delação e nega coação em depoimentos. Ao se referir a uma entrevista, ele diz que estava em crise psicológica e que “saiu atirando para tudo quanto é lado”.

Explicando, a Moraes, o funcionamento do esquema, Cid ressaltou que não havia uma organização centralizada.

“Os grupos não eram organizados. Era cada um com sua ideia. Não existia uma organização e nem reuniões. Não eram grupos organizados que iam junto ao presidente. Era pessoas que levavam ideias. Tinham dos mais conservadores aos mais radicais”, disse.

A partir do depoimento de Mauro Cid, os outros sete serão realizados por ordem alfabética até a sexta-feira (13/6), prazo marcado para o fim do procedimento.

Os réus poderão optar por ficar em silêncio ou responder às perguntas.

Réus, por ordem de depoimento:

  • Mauro Cid, delator do esquema e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil (o general será o único a ser inquirido por videoconferência, pois está preso no Rio de Janeiro)

Os oito réus são julgados pelos crimes de: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.

Pela dinâmica definida, na hora de depor, o réu se levanta, senta no banco central, à frente dos ministros da Primeira Turma e com o advogado ao lado, e, quando terminar de falar, volta para o assento original. A Primeira Turma é formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram suspender a audiência desta segunda, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os defensores do ex-presidente argumentaram que teria havido falta de acesso integral às provas e a necessidade de que Bolsonaro só seja interrogado após o depoimento das testemunhas.

Calendário dos próximos interrogatórios:

10/6 – das 9h às 20h;
11/6 – das 8h às 10h;
12/6 – das 9h às 13h; e
13/6 – das 9h às 20h.

Fonte: Metrópoles

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