
Paulo Sérgio nega “minuta de golpe” e diz que tratava só de GLO legítima
No dia 10 de junho de 2025, o ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro, general Paulo Sérgio Nogueira, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, Nogueira negou envolvimento e pediu desculpas por declarações passadas. Abaixo, um resumo ponto a ponto de suas principais falas:
- Desculpas ao TSE e a Moraes:
- Paulo Sérgio pediu desculpas públicas por declarações inadequadas contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o ministro Alexandre de Moraes durante uma reunião ministerial em julho de 2022. Ele atribuiu as falas à inexperiência como ministro, com menos de três meses no cargo, e à sua formação militar, afirmando: “Foram palavras mal colocadas, jamais chamei o TSE de inimigo.”
- Negação de Pressão por Fraude nas Urnas:
- O general negou ter sofrido pressão de Jair Bolsonaro para alterar relatórios das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Ele afirmou que o relatório seguiu critérios técnicos e que “não houve interferência” do ex-presidente, reforçando que nunca identificou fraudes no sistema eleitoral.
- Reunião de 14 de Dezembro de 2022:
- Sobre a reunião com comandantes das Forças Armadas, Nogueira negou ter apresentado uma minuta golpista, como sugerido pelo ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior. Ele disse não se lembrar de tal documento e sugeriu uma acareação para esclarecer contradições, proposta rejeitada por Moraes.
- Minuta Golpista e Reunião de 7 de Dezembro:
- Nogueira admitiu ter tido contato com uma projeção de “considerandos” em uma reunião com Bolsonaro em 7 de dezembro de 2022, mas negou tratar-se de uma minuta de golpe. Ele afirmou: “Nunca tratei de minuta de golpe com meus três comandantes,” insistindo que os debates eram sobre “possibilidades jurídicas.”
- Reuniões como “Tempestade de Ideias”:
- O ex-ministro descreveu as reuniões com Bolsonaro e comandantes como “brainstorming” (tempestade de ideias), onde se discutiam cenários como estado de defesa, mas alertou sobre a gravidade jurídica de tais medidas. Ele disse que sempre buscou manter o diálogo entre os Poderes para evitar rupturas.
- Ausência de Intenção de Confrontar o TSE:
- Questionado sobre uma nota emitida após críticas do TSE a um relatório do Ministério da Defesa, Nogueira negou intenção de confronto, afirmando que sua atuação visava apenas esclarecer questões técnicas. Ele reiterou que trabalhou com Moraes no processo eleitoral e que a relação foi profissional.
- Defesa da Inocência:
- Ao ser perguntado por Moraes se as acusações contra ele eram verdadeiras, Nogueira respondeu: “Não, excelência. E vamos procurar, na instrução do processo, mostrar o inverso.” Ele enfatizou que sua defesa busca provar sua inocência com base nas provas do inquérito.
8-Desentendimento com o Advogado Andrew Farias:
Durante o depoimento, um momento de tensão marcou o interrogatório quando o advogado Andrew Farias questionou Nogueira sobre reuniões nas quais se discutiu a possibilidade de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Nogueira, visivelmente irritado, interrompeu o advogado, dizendo: “Vai me perguntar sobre reunião, cara? Você não combinou nada disso comigo!” A reação gerou um “climão” na sessão, com Nogueira se negando a responder, afirmando que já havia esclarecido o tema a Moraes. Ele chegou a dizer: “Éder, eu já respondi isso ao nobre presidente Alexandre de Moraes, ok?”
- Contexto do Desentendimento:
- A surpresa de Nogueira sugere uma falha de alinhamento com sua defesa. Posts no X indicaram que o general parecia “desesperado” e disposto a “demitir o advogado ao vivo” por fazer perguntas não combinadas, que repetiam questões já abordadas por Moraes.
- A atitude foi interpretada como reflexo da pressão do interrogatório e da falta de preparação conjunta, com o advogado tentando explorar detalhes sensíveis sem coordenação prévia.
- Repercussão:
- A cena foi amplamente comentada em posts no X, com usuários destacando o constrangimento e a aparente descoordenação entre Nogueira e Farias. Alguns ironizaram, sugerindo que o general “brigou” com o advogado na frente de Moraes, enquanto outros questionaram a estratégia da defesa.
Paulo Sérgio Nogueira é acusado de integrar o “núcleo crucial” do suposto plano de golpe, com base em depoimentos como o de Mauro Cid e documentos apreendidos.
Sua estratégia no depoimento foi minimizar declarações passadas, negar envolvimento em planos ilegais e questionar a consistência das provas. A sugestão de acareação reflete a tentativa de confrontar contradições em outros depoimentos, como o de Baptista Júnior.
Fonte: Pátria & Defesa
