Veja o que disse o primeiro comandante do Exército de Lula ao STF
O general Julio Cesar de Arruda, ex-comandante do Exército, prestou depoimento nesta quinta-feira (22), ao Supremo Tribunal Federal (STF), como testemunha indicada pelo tenente-coronel Mauro Cid, no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Durante seu depoimento, o general negou que tenha impedido a entrada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no Quartel-General do Exército, onde manifestantes acampavam .
O comandante também rejeitou qualquer envolvimento com planos de golpe ou tentativas de impedir a posse de Lula. O general também negou que tenha recebido qualquer oferta para aceitar um suposto plano de golpe em 2022.
Entrada da PM no QG do Exército
Questionado sobre a atuação da PM na noite do dia 8 de janeiro, Arruda negou que tenha barrado a entrada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no Quartel-General do Exército, onde os manifestantes estavam concentrados.
“Eu não neguei [a entrada]. Lá pela noite, quando parte dos manifestantes voltava para a Praça dos Cristais, o general Dutra me ligou e disse que a polícia vinha atrás deles e queria prender todo mundo. Eu disse que aquilo precisava ser coordenado”, afirmou.
Arruda relatou ainda que, diante da situação, ligou para o então interventor federal na segurança do DF, Ricardo Cappelli, para alinhar a atuação das forças de segurança.
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação no STF, perguntou ao general se ele teria dito ao então comandante da PMDF, coronel Fábio Augusto Vieira, a frase: “Minha tropa é maior que a sua”, em tom de ameaça.
Arruda respondeu que não se lembra de ter feito essa declaração. “O clima estava exaltado, e minha função era acalmar. Disse que precisava ser feito de maneira coordenada”, complementou.
Encontro com general
O general também foi questionado sobre uma suposta proposta de adesão a um suposto plano feito por Mário Fernandes, general de brigada denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Segundo Arruda, houve um encontro com Fernandes, mas a conversa não teve qualquer caráter conspiratório.
“Ele não me questionou se eu assumiria [o comando do Exército]. Ele foi lá para conversarmos. Naquele dia, 28 de dezembro, já estava definido que eu assumiria. Foi uma visita, conversamos sobre vários assuntos”, afirmou.
Arruda também negou ter expulsado Fernandes de sua sala. “Disse a ele que daria continuidade ao trabalho do general Freire Gomes no comando”, afirmou.
Arruda também negou ter recebido qualquer proposta de adesão a um plano de golpe em 2022. Segundo ele, chegou a se reunir com o general de brigada Mário Fernandes — um dos réus no processo —, mas o encontro não teve caráter conspiratório.